O que está realmente a acontecer ao dinheiro tailandês?
Os grandes investidores tailandeses estão a retirar capital do mercado imobiliário de Londres a um ritmo notável, mas esse dinheiro não está a voltar para Bangkok. Está a seguir para Tóquio e para a estação de esqui de Niseko, no Japão. Este realinhamento nos hábitos de investimento de alguns dos maiores compradores da Ásia está a redesenhar o mapa do imobiliário de luxo, e Phuket surge como um rival inesperadamente forte face aos destinos japoneses mais cotados.
Para quem acompanha o mercado a partir de Portugal e pensa em diversificar investimentos fora da Europa, este movimento é revelador: mesmo os investidores asiáticos mais experientes estão a preferir mercados com rendas mais altas, regras claras e custos de posse controlados, e Phuket cumpre esses três critérios melhor do que Tóquio ou Niseko.
Porque é que os tailandeses estão a sair de Londres?
Segundo o jornal The Nation Thailand, os investidores tailandeses estão a reduzir a exposição ao Reino Unido devido ao aumento dos custos de posse e à persistente incerteza política pós-Brexit. A fatura tornou-se pouco atrativa: a sobretaxa do Stamp Duty Land Tax para não residentes acrescenta 2% sobre a taxa normal, e o imposto anual ATED sobre imóveis de valor elevado detidos através de empresas começa nos 4.150 GBP por ano.
Juntando a isto um mercado de arrendamento em Londres cada vez mais moroso e uma política de visados mais restritiva, o apelo do imobiliário britânico esbate-se rapidamente para quem procura retorno real.
Porque é que Tóquio e Niseko estão a atrair capital asiático?
O Japão está a conquistar investidores graças a um yen fraco, a um sistema legal estável e transparente, e a rendas de arrendamento em Tóquio na ordem dos 3,5-4,5% ao ano. A cidade está também a passar por grandes obras de modernização de infraestruturas, o que sustenta a valorização contínua dos preços.
Niseko, em Hokkaido, é muitas vezes chamada de 'Chamonix da Ásia' e atrai visitantes de alto poder económico de Hong Kong, Singapura e Austrália. Os preços dos chalés premium duplicaram nos últimos cinco anos, mas há uma limitação séria: a época alta dura apenas 4 meses (de dezembro a março), e entrar no segmento premium exige a partir de 500.000 USD.
Como é que Phuket se compara a Tóquio e a Niseko?
Aqui está o essencial, resumido para quem procura uma resposta rápida: Phuket bate Tóquio e Niseko em três frentes decisivas. Primeiro, rentabilidades de arrendamento mais altas (6-8% contra 3,5-4,5% em Tóquio). Segundo, uma época de arrendamento muito mais longa, até 10 meses por ano. Terceiro, um ponto de entrada claramente mais baixo, com apartamentos de qualidade disponíveis a partir de 120.000-150.000 USD.
A tabela seguinte resume os números-chave dos três mercados:
| Indicador | Tóquio | Niseko | Phuket |
|---|---|---|---|
| Rentabilidade anual de arrendamento | 3,5-4,5% | 4-6% (época alta) | 6-8% |
| Preço médio por m² (segmento premium) | mais de 15.000 USD | valorização x2 em 5 anos | 4.000-7.000 USD |
| Época turística/de arrendamento | ano inteiro | 4 meses (dez-mar) | 8-10 meses |
| Entrada mínima no segmento premium | elevada | a partir de 500.000 USD | a partir de 120.000-150.000 USD |
Quanto custa realmente comprar em cada mercado?
Em Tóquio, os preços dos apartamentos novos nas 23 zonas especiais da cidade subiram mais de 20% durante 2024-2025, segundo o Real Estate Economic Institute of Japan, com o preço por metro quadrado nas zonas centrais a superar já os 15.000 USD. O yen japonês negociava perto de mínimos de vários anos frente ao dólar em 2025, o que baixa o custo de entrada para compradores estrangeiros, mas acrescenta risco cambial na altura de converter as rendas recebidas.
Em Phuket, o preço médio por metro quadrado no segmento premium situa-se entre 4.000 e 7.000 USD, ou seja, cerca de 2 a 3 vezes menos do que em Tóquio, com uma época turística que se estende por 8 a 10 meses, o que garante um rendimento de arrendamento muito mais estável ao longo do ano.
Tailândia figura entre os cinco principais destinos asiáticos para investimento estrangeiro direto no imobiliário, segundo estimativas de mercado. E o interesse por Phuket não é sazonal nem especulativo: dados recentes mostram que 62% da procura por imóveis na ilha tem origem fora da Tailândia, com compradores de 141 países diferentes.
Quem pode comprar imóveis no Japão como estrangeiro?
Os estrangeiros no Japão podem ser proprietários plenos (freehold) de terrenos e edifícios, sem restrições. O processo de compra é relativamente transparente, mas exige um agente licenciado e um notário. O imposto de aquisição ronda 3-4% do valor avaliado, mais taxas de registo.
Phuket continua a ser um dos poucos mercados de resort onde os estrangeiros podem ter título de propriedade plena (freehold) sobre um apartamento, o que facilita bastante o processo para quem, a partir de Portugal, procura segurança jurídica sem ter de constituir estruturas complexas.
Quem está de olho em Phuket neste momento?
O Bangkok Post relata um movimento mais amplo de interesse por imobiliário de luxo em direção a Phuket, impulsionado pela instabilidade global. Compradores dos Emirados Árabes Unidos, do Médio Oriente e da China estão cada vez mais a diversificar a sua base ali, não como uma jogada especulativa de curto prazo, mas como uma escolha estrutural de longo prazo.
Esta tendência tem paralelo com o que está a acontecer com o capital tailandês: dinheiro à procura de mercados regionais familiares e com retorno elevado. E para quem parte da Europa, a lógica é semelhante: boa conectividade aérea, infraestrutura já madura em zonas como Bang Tao e Laguna, e um mercado mais fácil de navegar do que muitos concorrentes asiáticos.
Vale a pena seguir o dinheiro tailandês até ao Japão?
Não necessariamente. Os investidores tailandeses são atraídos para o Japão sobretudo pela proximidade geográfica e pelos laços culturais, fatores que não se aplicam da mesma forma a um comprador português. Para um público internacional mais amplo, Phuket oferece um ecossistema mais acessível: boa conectividade aérea, procura crescente de compradores do Médio Oriente e da China, infraestrutura desenvolvida em zonas como Bang Tao e Laguna, e um mercado globalmente mais fácil de compreender e de gerir a distância.
Quanto se pode ganhar com um imóvel em Phuket?
Vilas premium sob gestão profissional apresentam retornos anuais de 6-8% antes de despesas operacionais. Apartamentos com programas de arrendamento garantido entregam 5-7%. Ambos os números superam a maioria das capitais asiáticas, incluindo Tóquio.
Como organizar uma viagem de inspeção a Phuket?
Uma visita de 3 a 5 dias costuma ser suficiente para conhecer os empreendimentos mais relevantes. Vale a pena reservar alojamento perto das zonas de interesse com antecedência e agendar reuniões com promotores antes da viagem. Os meses de novembro a março são os mais produtivos para visitas no terreno, já que todos os imóveis estão facilmente acessíveis nessa altura do ano.
Conclusão: uma mudança estrutural, não uma moda passageira
A saída de capital tailandês de Londres em direção à Ásia não é uma tendência passageira, é um realinhamento estrutural. Os grandes investidores asiáticos estão à procura de mercados com boas rentabilidades, regras transparentes e custos de posse controlados. Em todos estes critérios, Phuket está ao nível de Tóquio, e em rentabilidade de arrendamento, ultrapassa-o claramente. Para investidores internacionais que procuram um equilíbrio entre valorização de capital e rendimento de arrendamento, a ilha turística de bandeira da Tailândia continua a ser uma das apostas mais fortes da região.
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Fonte: Bangkok Post
