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Paradoxo Imobiliário na Tailândia: Aberta ao Investimento, Fechada à Propriedade de Terrenos

Paradoxo Imobiliário na Tailândia: Aberta ao Investimento, Fechada à Propriedade de Terrenos
Photo: Asad Photo Maldives / Pexels
Em resumo

A Tailândia atrai milhares de milhões em investimento estrangeiro, mas proíbe estrangeiros de possuir terrenos. Saiba exatamente o que pode - e não pode - comprar como cidadão europeu em 2026.

O que pode um português comprar na Tailândia, afinal?

Resposta direta: um estrangeiro pode adquirir em plena propriedade (freehold) um apartamento em condomínio, desde que a quota de 49% do edifício não esteja esgotada. Terrenos, moradias e vivendas isoladas estão vedados à propriedade direta por não-residentes, sem exceção. Qualquer estrutura que contorne esta regra através de empresas tailandesas com sócios nominais acarreta riscos jurídicos graves, incluindo anulação do negócio e processo-crime.

Para quem está em Portugal a considerar comprar casa na Tailândia - seja em Phuket, Pattaya ou Koh Samui - compreender este quadro legal não é um mero formalismo: é uma questão de segurança financeira.


Porque existe este paradoxo?

A Tailândia ocupa o 4.º lugar no Sudeste Asiático em atração de investimento direto estrangeiro. Em 2025, esse fluxo superou os 15 mil milhões de dólares, segundo o Banco da Tailândia, concentrado em eletrónica, indústria automóvel e economia digital. O governo tailandês corteja ativamente o capital externo - mas traça uma linha clara quando se trata de terra. Um investidor pode construir uma fábrica; não pode comprar a moradia ao lado. Esta contradição não é acidente: é política deliberada, enraizada numa sensibilidade nacionalista que torna qualquer reforma legislativa extraordinariamente difícil.


O que diz a lei: o essencial para um comprador europeu

Terrenos e moradias - proibição total

A Lei do Registo Predial tailandesa (Land Code Act B.E. 2497, de 1954) proíbe estrangeiros de deter a propriedade de terrenos. Isto aplica-se a vivendas, moradias em banda e qualquer tipologia que inclua terreno. Não há exceções para cidadãos da União Europeia nem para titulares de visto de longa duração.

Apartamentos em condomínio - a única via de freehold

A Lei do Condomínio (Condominium Act B.E. 2522, de 1979, com alterações posteriores) permite que estrangeiros detenham o título de propriedade plena de frações autónomas. O limite máximo é 49% da área total registada de um edifício. Quando esta quota está esgotada, um comprador estrangeiro só pode adquirir mediante arrendamento de longo prazo de 30 anos.

Phuket e Pattaya representam mais de 60% de todas as transações de condomínios envolvendo compradores estrangeiros. Em projetos muito procurados nestas zonas, a quota dos 49% está frequentemente preenchida antes mesmo de o edifício ser concluído.

Arrendamento de longa duração (leasehold) - opção viável, mas com limites

O arrendamento registado no Departamento de Terras oferece proteção legal durante o prazo estipulado, que não pode exceder 30 anos. É comum encontrar contratos com cláusulas de renovação (30+30 ou 30+30+30), mas estas não constituem um direito real sobre o imóvel. Se o terreno mudar de proprietário, o novo titular não está legalmente obrigado a honrar as condições de renovação. Este risco deve ser avaliado com um advogado independente antes de qualquer assinatura.


Incentivos do BOI: o que cobrem (e o que não cobrem)

O Board of Investment (BOI) tailandês oferece incentivos fiscais e facilidades para investimento empresarial e industrial. Há quem pergunte se os benefícios do BOI abrem caminho à compra de imóveis residenciais. A resposta é não: os incentivos do BOI destinam-se a investimento produtivo e não criam qualquer mecanismo alternativo para aquisição de propriedade residencial por estrangeiros.


Os riscos das estruturas com sócios nominais

Alguns promotores e intermediários propõem a criação de uma empresa tailandesa com sócios locais nominais para contornar as restrições de posse de terreno. Esta abordagem é ilegal e as consequências são reais:

  • O Departamento de Terras intensificou auditorias às estruturas acionistas a partir de 2023.
  • As autoridades tailandesas já instauraram processos a mais de 850 empresas ligadas a estruturas de sócios nominais ilegais, com prejuízos alegados superiores a 15 mil milhões de baht.
  • As sanções ao abrigo da Lei do Investimento Estrangeiro (Foreign Business Act) podem atingir 1 milhão de baht (cerca de 28 000 dólares), sendo o encarceramento uma possibilidade.
  • O negócio pode ser anulado, com perda do investimento.

O Bangkok Post noticiou que milhares de empresas com participação estrangeira em ilhas tailandesas estão sob investigação ativa.


Comparação com países vizinhos

PaísPropriedade plena para estrangeirosArrendamentoCondições principais
TailândiaApenas apartamentos (quota de 49%)30 anos (não renovável por direito)Restrições entre as mais severas da região
VietnameApartamentos (quota de 30%)50 anos em moradiasAbertura desde 2015
Malásia (MM2H)Sim, com programa de residênciaDisponívelA partir de 1 milhão de ringgit (aprox. 220 000 USD)

A Tailândia permanece notavelmente mais restritiva do que os seus vizinhos mais próximos no que toca a direitos de propriedade para estrangeiros.


O que pode mudar em 2026?

A administração Paetongtarn Shinawatra está a rever um pacote alargado de incentivos ao investidor. O ponto mais discutido é o aumento da quota de propriedade estrangeira em condomínios de 49% para 75% em zonas económicas especiais. Contudo, até meados de 2026, nenhum projeto de lei foi formalmente submetido ao parlamento.

Em 2024, uma proposta para introduzir arrendamentos de 99 anos foi debatida mas acabou arquivada sob pressão política interna, o que ilustra bem a dificuldade de reforma nesta área.


Fiscalidade na compra: os números concretos

  • Imposto de transmissão: 2% do valor avaliado
  • Imposto de selo: 0,5%
  • Imposto especial sobre o negócio: 3,3%, aplicável quando o imóvel é revendido dentro de 5 anos após a compra

Como transferir dinheiro de Portugal para comprar na Tailândia

Os fundos têm de ser remetidos do estrangeiro e convertidos em baht tailandês através de um banco tailandês. O banco emite um Foreign Exchange Transaction Form (FETF), documento obrigatório para registar o título de propriedade de um condomínio em nome estrangeiro. Sem este comprovativo de transferência internacional, o registo não é possível. Alguns compradores utilizam exchanges de criptomoedas licenciadas na Tailândia, mas os promotores raramente aceitam cripto diretamente.


Freehold vs. leasehold: qual a melhor opção?

Do ponto de vista da segurança jurídica, um apartamento em freehold é a opção mais sólida: o título é seu, sem prazo de validade. Em termos de rentabilidade, as vivendas em Phuket podem gerar 6 a 8% ao ano em rendas, enquanto os apartamentos em condomínio apresentam médias de 4 a 6%. A desvantagem de uma vivenda em leasehold é que o valor de revenda diminui à medida que o prazo restante de arrendamento se encurta, ao contrário de um apartamento em freehold.


A estratégia mais segura para um comprador português em 2026

Para a maioria dos investidores europeus, a abordagem de menor risco é adquirir um apartamento em freehold num projeto onde a quota estrangeira ainda esteja disponível, confirmada por escrito antes de qualquer compromisso. A devida diligência jurídica através de um advogado independente, que não seja indicado pelo promotor, é indispensável. As vivendas em leasehold continuam a ser uma opção válida, mas apenas quando o contrato está cuidadosamente estruturado e o risco de renovação é plenamente compreendido.

A equipa da Imóveis na Tailândia acompanha compradores portugueses em todas as fases deste processo, desde a verificação da quota disponível até à revisão contratual independente.

Fonte: Bangkok Post

Perguntas frequentes

Um cidadão português pode comprar uma moradia ou vivenda na Tailândia em plena propriedade?

Não. A lei tailandesa proíbe estrangeiros de possuir terrenos, o que inclui moradias, vivendas e qualquer imóvel com terreno associado. A única forma de propriedade plena (*freehold*) acessível a portugueses é um apartamento em condomínio, sujeito à quota máxima de 49% por edifício.

O que acontece se a quota de 49% de um condomínio já estiver preenchida?

Quando a quota de 49% da área total de um edifício destinada a estrangeiros está esgotada, o comprador estrangeiro só pode adquirir a fração mediante um contrato de arrendamento de longa duração de 30 anos, registado no Departamento de Terras. As cláusulas de renovação (30+30 ou 30+30+30) são comuns nos contratos, mas não garantem qualquer direito legal de renovação se o terreno mudar de proprietário.

É seguro comprar através de uma empresa tailandesa para contornar as restrições?

Não. As estruturas com sócios nominais tailandeses que atuam em nome de um investidor estrangeiro são ilegais. O Departamento de Terras intensificou as auditorias desde 2023 e as autoridades já processaram mais de 850 empresas ligadas a estas práticas. As consequências incluem a anulação do negócio, multas até 1 milhão de baht (cerca de 28 000 dólares) e, em casos graves, prisão.

Quais são os impostos a pagar na compra de um apartamento na Tailândia?

Na aquisição de um imóvel na Tailândia, o comprador suporta tipicamente um imposto de transmissão de 2% sobre o valor avaliado e um imposto de selo de 0,5%. Em caso de revenda dentro dos primeiros 5 anos após a compra, aplica-se ainda um imposto especial sobre o negócio de 3,3%. Recomenda-se verificar a distribuição destes custos no contrato, pois é prática comum negociar quem suporta cada verba.