Resposta direta para quem tem pressa
A Genting, conglomerado malaio, vai investir 20 mil milhões de dólares numa cidade tecnológica em Johor, virada para inteligência artificial e agritech, dentro da nova Zona Económica Especial Johor-Singapura (JS-SEZ). Para quem procura casa ou investimento na Tailândia, a conclusão prática é tranquilizadora: este projeto compete por capital tecnológico e sedes corporativas, não pelo comprador que quer uma villa em Phuket, rendimento de arrendamento turístico ou reforma ao sol. Os dois mercados servem perfis de investidor diferentes e, para já, não há sinais de fuga de capital do imobiliário residencial tailandês.
Porque é que este anúncio interessa a quem pensa comprar na Tailândia
Há apenas três anos, a Tailândia era, sem grande discussão, o destino preferido dos compradores estrangeiros de imóveis no Sudeste Asiático. Agora, a Malásia coloca em cima da mesa um projeto do tamanho de uma cidade inteira. A pergunta que interessa a um comprador português ou europeu não é "o dinheiro vai fugir de Phuket para Johor?", mas sim "como está a mudar o mapa de prioridades de investimento na região, e o que é que isso significa para o meu plano concreto?".
Se está a acompanhar o mercado tailandês através da Imóveis na Tailândia, este é exatamente o tipo de notícia macro que vale a pena entender antes de decidir entre reforçar posição em Phuket ou diversificar para outro mercado da região.
O que é, afinal, este projeto da Genting
A Genting Group é um conglomerado malaio com uma capitalização de mercado de cerca de 8 mil milhões de dólares, historicamente conhecido pelo negócio de casinos e hotelaria (as propriedades Resorts World espalhadas por vários países). A cidade tecnológica em Johor representa uma viragem estratégica clara para infraestrutura tecnológica.
Segundo documentos da própria empresa, citados pela The Edge Malaysia, a chamada Johor Tech Smart City vai ocupar 2.300 acres, dos quais 500 acres formam um AgTech Campus e 1.700 acres um Knowledge AI Campus. A expectativa é criar mais de 10.000 postos de trabalho diretos.
O projeto nasce dentro da Zona Económica Especial Johor-Singapura (JS-SEZ), lançada em janeiro de 2025 precisamente para atrair negócio e talento internacional para esta faixa fronteiriça. A zona oferece procedimentos aduaneiros simplificados, incentivos fiscais e acesso sem visto para profissionais qualificados. Segundo o governo malaio, a JS-SEZ deverá gerar 100.000 postos de trabalho na primeira década.
Johor Bahru fica a menos de 30 km do centro de Singapura, o que na prática a transforma numa espécie de subúrbio da cidade-estado, com preços de imóveis entre 3 a 5 vezes mais baixos do que em Singapura.
Comparação de preços: Johor, Banguecoque e Phuket
Para quem já pesquisou preços em Phuket ou Banguecoque, a tabela abaixo ajuda a situar Johor no mapa regional:
| Mercado | Preço médio por m² (2025) |
|---|---|
| Johor Bahru | 1.500 a 2.200 dólares |
| Banguecoque (projetos comparáveis) | 3.000 a 5.500 dólares |
| Phuket (segmento premium) | 3.500 a 7.000 dólares |
Os dados são da CBRE. Repare que Phuket, no segmento premium, continua a ser o mercado mais caro dos três, o que reflete a procura consolidada por imóveis de luxo junto ao mar.
O dinheiro estrangeiro que já entra na Tailândia
A Tailândia atraiu cerca de 4,8 mil milhões de dólares em investimento estrangeiro direto no setor imobiliário em 2025. Para dar uma ideia de escala, um único projeto da Genting equivale, em dimensão, a aproximadamente quatro anos deste fluxo de investimento tailandês. É um número que impressiona à primeira vista, mas que diz mais sobre o tamanho do projeto malaio do que sobre uma eventual fragilidade do mercado tailandês.
Aliás, o próprio mercado de resort na Tailândia continua a mostrar confiança: a promotora Sansiri anunciou planos para investir 40 mil milhões de baht em novos projetos em Phuket entre 2027 e 2030, incluindo sete projetos no valor de 10 mil milhões de baht a lançar já no segundo semestre de 2026. Isto é um sinal claro de que a procura por imóveis em Phuket continua sólida, apesar da concorrência regional.
Regras de propriedade: o que muda para um comprador europeu
Em Malásia, os estrangeiros podem adquirir imóveis em regime de propriedade plena (freehold), com um limiar mínimo de compra a partir de cerca de 1 milhão de ringgit (aproximadamente 220.000 dólares). Na Tailândia, a propriedade plena por parte de estrangeiros está limitada a apartamentos (condomínios), dentro da quota legal de 49% de área vendável por edifício reservada a compradores estrangeiros.
Esta diferença legal é importante para quem hesita entre os dois mercados: a Malásia oferece propriedade plena mais liberal mas com um valor mínimo de entrada; a Tailândia é mais restritiva na forma jurídica, mas o mercado condominial já está bem rodado e testado por milhares de compradores estrangeiros.
Onde é que a Tailândia pode sentir pressão real
Se a concorrência de Johor se fizer sentir nalgum segmento, será primeiro no mercado de escritórios e comercial de Banguecoque, já que a capital tailandesa disputa diretamente com Kuala Lumpur e Singapura a atração de sedes corporativas regionais. Os mercados de resort em Phuket, Samui e Pattaya estão relativamente protegidos, porque o seu apelo turístico é único e não é substituível por uma cidade tecnológica junto à fronteira de Singapura.
Como a Tailândia está a reagir
Em 2025 e 2026, a Tailândia acelerou o desenvolvimento do Eastern Economic Corridor (EEC), que abrange as províncias de Chonburi, Rayong e Chachoengsao. O governo está a oferecer isenções fiscais de até 13 anos para empresas tecnológicas. Está também em discussão o aumento da quota de propriedade estrangeira em condomínios de 49% para 75%, uma alteração que, a concretizar-se, poderia impulsionar significativamente a entrada de capital estrangeiro no setor.
Vale a pena considerar Johor como alternativa a Phuket?
Só faz sentido se a sua estratégia for uma aposta de longo prazo, dez anos ou mais, na valorização de capital junto de Singapura. Os dados atuais apontam para rendimentos de arrendamento em Johor Bahru na ordem dos 3 a 4% ao ano, bastante abaixo dos 5 a 8% observados em Phuket ou dos 4 a 6% em Banguecoque. Quem investe em Johor está, essencialmente, a apostar em valorização futura, não em rendimento imediato.
Se o seu objetivo é rendimento de arrendamento estável e uso pessoal num ambiente de resort, Phuket continua a ser a escolha mais previsível, com infraestrutura turística já comprovada.
O que fazer agora, se já pensa comprar na Tailândia
O projeto da Genting está numa fase muito inicial e não deve, por si só, mudar uma decisão de compra que já esteja a amadurecer. O mercado imobiliário tailandês em 2026 é moldado sobretudo por fatores domésticos: a taxa de câmbio do baht, o número de chegadas turísticas, as taxas de juro do Banco da Tailândia e eventuais reformas regulatórias. O anúncio de Johor serve como contexto estratégico para uma visão de longo prazo, não como motivo para alterar planos imediatos.
Para investidores mais experientes, é perfeitamente possível diversificar entre os dois mercados: a Tailândia oferece rendimento corrente e valor de estilo de vida, enquanto a Malásia oferece potencial de valorização de capital pela proximidade a Singapura. O essencial é perceber bem os enquadramentos legais distintos antes de avançar com qualquer um dos dois.
Fonte: Nikkei Asia
O projeto de Johor não é uma ameaça direta para quem investe em imóveis na Tailândia, é antes um indicador de que a concorrência regional entrou numa nova fase. A Tailândia continua a ganhar em rendimento de arrendamento turístico, apelo de estilo de vida e maturidade de mercado. A Malásia aposta em infraestrutura tecnológica e proximidade a Singapura. O investidor atento estuda os dois mercados, mas decide com base num objetivo claro: rendimento hoje ou valorização de capital daqui a uma década.
