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Ranong ou Land Bridge: para onde vão os biliões do Sul da Tailândia em 2026

Ranong ou Land Bridge: para onde vão os biliões do Sul da Tailândia em 2026
Photo: gokudo man'yūki / Pexels
Em resumo

O primeiro-ministro Anutin Charnvirakul travou o megaprojeto Land Bridge de 1 bilião de baht e redirecionou o investimento para a modernização do porto de Ranong, mudando o mapa das oportunidades imobiliárias no litoral de Andaman.

Se está a acompanhar o mercado imobiliário do Sul da Tailândia à distância, desde Lisboa ou do Porto, há uma pergunta que vale mais do que qualquer folheto de promotor: o dinheiro público vai mesmo continuar a fluir para Phuket e arredores, ou vai desviar-se para outra região? A resposta mudou em 2025-2026, e vale a pena perceber porquê antes de assinar qualquer contrato-promessa.

Resposta direta

O governo tailandês, liderado pelo primeiro-ministro Anutin Charnvirakul, mandou reavaliar o megaprojeto Land Bridge, avaliado em cerca de 1 bilião de baht. Em vez de avançar já com essa aposta gigantesca, a prioridade passou para a modernização do porto de Ranong e para completar as ligações em falta do Corredor Económico Norte-Sul. Na prática, isto significa que Ranong ganha tração imediata, Chumphon perde protagonismo, e Phuket continua a ser o valor seguro do litoral de Andaman.

O que estava previsto no Land Bridge e porque foi travado

O Land Bridge nasceu como resposta ao Estreito de Malaca: dois portos de águas profundas, um na costa de Andaman e outro no Golfo da Tailândia, ligados por um corredor rodoferroviário de cerca de 90 km, pensado para transformar as províncias de Ranong e Chumphon em centros logísticos de referência mundial. Segundo o Malay Mail, este corredor costa-a-costa prometia cortar custos logísticos em quase 30% e reduzir até 14 dias o tempo de transporte marítimo entre o sul da China e os portos virados a Andaman.

Era, no papel, um projeto à escala de Singapura. Na prática, o governo optou agora por um caminho mais pragmático: em vez de apostar tudo numa infraestrutura gigantesca e de execução lenta, prefere investimentos mais rápidos e localizados, com Ranong à cabeça da fila.

Os números que um investidor português deve reter

  • O Land Bridge, avaliado em cerca de 1 bilião de baht, foi devolvido para reavaliação por ordem do primeiro-ministro Anutin Charnvirakul
  • A prioridade orçamental passou para a modernização do porto de Ranong e para completar ligações de transporte em falta ao longo do Corredor Económico Norte-Sul
  • A província de Ranong vai receber financiamento acelerado para infraestrutura portuária, o que sustenta a procura por imóveis comerciais e residenciais na região
  • A província de Chumphon perde o estatuto de principal beneficiária, e é provável que o crescimento especulativo dos preços de terreno ali estagne
  • O investimento em infraestrutura está a inclinar-se para a costa oeste de Andaman, mais perto de Phuket e Krabi
  • O Corredor Norte-Sul reforça a ligação entre Banguecoque e as zonas turísticas do sul, algo positivo para o mercado de condomínios de Phuket

Factos concretos sobre o projeto e o mercado

  • O Land Bridge previa portos de águas profundas em Ranong (costa de Andaman) e Chumphon (Golfo da Tailândia), ligados por cerca de 90 km de via férrea e rodovia, embora algumas estimativas falem num corredor mais amplo de 109 km e num percurso total próximo dos 900 km
  • O porto de Ranong movimenta hoje sobretudo carga costeira e comércio com o Myanmar; está prevista uma capacidade várias vezes superior
  • O Corredor Económico Norte-Sul (NSEC) liga China, Laos, Myanmar e Tailândia, impulsionando o comércio transfronteiriço e o fluxo logístico
  • Os preços médios de terreno na província de Ranong subiram entre 15% e 20% nos últimos dois anos, em resultado das expectativas ligadas à infraestrutura
  • Segundo o Banco da Tailândia, o investimento privado nas províncias do sul cresceu 8,3% em termos homólogos em 2025
  • Phuket continua a ser o mercado imobiliário âncora da costa de Andaman: as transações de condomínios por compradores estrangeiros subiram 22% em 2025, de acordo com a CBRE Thailand
  • A província de Chumphon, onde houve forte especulação de terrenos em antecipação ao megaprojeto, enfrenta agora o risco de uma correção de preços

O que isto significa na prática para Ranong

Esta mudança de prioridades cria uma bifurcação clara para quem investe. Ranong está a transformar-se de tranquila província piscatória em potencial polo logístico da costa oeste. A modernização do porto deverá arrastar consigo procura por armazéns, alojamento para trabalhadores e infraestrutura de apoio. Mas a escala desta transformação será bastante mais modesta do que aquilo que o Land Bridge original prometia.

Para quem pensa em investir em imóveis residenciais no sul da Tailândia, Phuket e Krabi continuam a ser os principais beneficiários. A melhoria da conectividade ao longo do Corredor Norte-Sul vai reduzir custos logísticos e tempo de viagem, tornando os imóveis turísticos de ambos os mercados ainda mais atrativos, algo relevante para quem procura um segundo lar ou uma casa de férias com vista para o mar de Andaman.

Os riscos que ninguém deve ignorar

Os riscos merecem atenção redobrada. A reavaliação do Land Bridge não significa cancelamento definitivo. Segundo o Nation Thailand, o Ministério dos Transportes vai continuar a estudar o projeto mais amplo, mesmo enquanto avançam, nos próximos 5 a 10 anos, investimentos mais rápidos e práticos no porto de Ranong e nas ligações ferroviárias em falta.

Quem comprou terreno em Chumphon com base em expectativas especulativas encontra-se agora numa zona cinzenta. Vender agora significa assumir prejuízo; manter a posição exige paciência para um calendário indefinido. É exatamente o tipo de situação que qualquer comprador português deveria evitar repetir: apostar tudo numa única promessa de infraestrutura, sem plano B.

Ranong vai tornar-se o próximo grande porto?

Para o mercado imobiliário comercial de Ranong, a modernização do porto é um sinal positivo, mas medido. O porto vai manter-se de escala regional, não global. Esperar que Ranong se transforme num segundo Laem Chabang seria irrealista. Um cenário mais realista aponta para um crescimento do movimento de carga entre 30% e 50% ao longo de cinco anos, com um aumento proporcional da procura por instalações logísticas.

Conclusão para quem investe a partir de Portugal

A lição principal para qualquer investidor é simples: não aposte tudo num único megaprojeto. Diversificar entre mercados já consolidados, como Phuket e Krabi, e pontos de crescimento emergente, como Ranong, entrega um equilíbrio mais saudável entre retorno e risco controlado. Os planos de infraestrutura do governo tailandês mudam de direção, mas a procura de fundo por imóveis turísticos de qualidade na costa de Andaman mantém-se sólida. Se está a equacionar dar o próximo passo, a equipa da Imóveis na Tailândia pode ajudar a perceber onde faz mais sentido investir hoje.

Fonte: Nation Thailand

Perguntas frequentes

O projeto Land Bridge foi mesmo cancelado?

Não. O primeiro-ministro Anutin Charnvirakul ordenou uma reavaliação, não um cancelamento. O resultado pode ser uma redução de âmbito, um novo calendário ou uma alteração de percurso. O financiamento prioritário, no entanto, já foi redirecionado para o porto de Ranong.

Vale a pena comprar terreno em Ranong agora?

A modernização do porto deverá aumentar a procura por imóveis comerciais e armazéns, com um crescimento mais moderado no segmento residencial. O principal risco é sobrestimar a escala: Ranong vai manter-se como polo regional, não internacional, ao contrário do que se previa com o Land Bridge completo.

O que acontece aos preços de terreno em Chumphon depois desta mudança?

O crescimento especulativo alimentado pelas expectativas do Land Bridge deverá estagnar. É possível uma correção de **10% a 15%** nos próximos dois anos, sobretudo em terrenos comprados junto ao corredor de transporte que estava planeado.

Um comprador estrangeiro pode adquirir imóveis em Ranong ou Phuket?

Sim, nas mesmas condições aplicadas em todo o território tailandês. Estrangeiros podem ser proprietários de condomínios (até **49%** da área total de um projeto) ou recorrer a estruturas de arrendamento de longo prazo (contratos de **30 anos** com opções de renovação).