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Empresa tailandesa para comprar imóvel: em 2026 esse atalho já não funciona

Empresa tailandesa para comprar imóvel: em 2026 esse atalho já não funciona
Photo: Alexey Demidov / Pexels
Em resumo

No cartório de Phuket já perguntam de onde vem o dinheiro dos sócios tailandeses. A estrutura de empresa para 'comprar' uma villa não mudou de lei em 2026, mas passou a ser fiscalizada como nunca antes.

No registo de imóveis de Phuket, um comprador que tenta registar uma villa através de uma empresa tailandesa ouve hoje perguntas que há poucos anos nem se colocavam: de onde veio o dinheiro dos sócios tailandeses para pagar as suas quotas, se têm declarações de rendimentos, porque é que os três vivem em províncias diferentes. Há uns anos, esta documentação passava sem grande escrutínio. Agora é cruzada com a base de dados do Department of Business Development.

A resposta direta é esta: em 2026 não houve nenhuma liberalização dos direitos de propriedade estrangeira na Tailândia. O que mudou foi a fiscalização de regras que já existiam. Para um comprador estrangeiro individual, o único caminho direto e legal continua a ser a propriedade plena (freehold) de uma fração num condomínio, dentro da quota de 49% da área total do edifício reservada a estrangeiros. Tudo o resto exige uma autorização especial ou a aceitação honesta de que se está a comprar um arrendamento, não uma propriedade.

Para quem está habituado ao mercado português, onde comprar através de uma sociedade é rotina fiscal sem grandes sobressaltos, esta distinção tailandesa costuma ser o primeiro choque cultural.

O que é a quota de 49% num condomínio e como se confirma?

A quota estrangeira num condomínio corresponde a 49% da área total das fracões do edifício, não a 49% do número de unidades. Antes de qualquer transação ser registada no cartório, é preciso obter um certificado emitido pela administração do condomínio (juristic person) que confirme quanto dessa quota ainda está disponível.

Este ponto é frequentemente mal compreendido: um edifício pode ter dezenas de fracões livres para venda, mas se a área ocupada por proprietários estrangeiros já atingir os 49% da área total, nenhuma fração adicional pode ser vendida em regime de freehold a um estrangeiro, seja qual for o tamanho do apartamento. Em projetos populares nas zonas de Rawai ou Bang Tao, pode simplesmente não sobrar quota nenhuma, independentemente do que o vendedor afirme. Vale a pena confirmar isto pessoalmente, de preferência durante uma viagem de inspeção, e reservar essa viagem com alguma flexibilidade de datas: o cartório só funciona em dias úteis, e um único dia raramente é suficiente para concluir uma transação.

Pode um estrangeiro comprar terreno na Tailândia em 2026?

Em geral, não. O Land Code tailandês não concede a estrangeiros o direito de propriedade sobre terrenos em nome individual. As exceções são estreitas: certos casos de herança e a Secção 96 bis, que permite adquirir até 1 rai (aproximadamente 1.600 m²) para uso residencial, com um investimento mínimo de 40 milhões de baht em ativos aprovados e sujeito a aprovação do Ministério do Interior. Na prática, muito poucas aprovações deste tipo foram concedidas até hoje.

Porque é que a 'empresa tailandesa' deixou de ser um atalho seguro

Durante décadas, a fórmula padrão para 'comprar' uma villa com terreno anexo foi constituir uma empresa tailandesa com 51% do capital em nome de sócios locais. No papel, nada estava errado: a empresa é tailandesa, logo pode ser proprietária de terreno. Na prática, os sócios tailandeses nunca investiram um único baht, nunca participaram na gestão e limitavam-se a assinar formulários de transferência de quotas em branco.

É exatamente esta distância entre a forma legal e a substância real que os reguladores aprenderam a identificar. Quando o Land Department vê uma empresa com 2 milhões de baht de capital registado a comprar um terreno por 25 milhões, e o Department of Business Development mostra que os sócios tailandeses nunca declararam rendimentos e figuram como sócios em mais vinte outras empresas, não são precisas mais perguntas.

Desde 2025, essa troca de dados entre o Land Department e o Department of Business Development intensificou-se, permitindo verificar a origem real do capital por detrás dos sócios tailandeses em empresas detentoras de terrenos. A Ordem n.º 1/2026 do Department of Business Development (DBD Order No. 1/2026) desencadeou, a partir de abril de 2026, uma revisão em massa de mais de 46.000 empresas com participação estrangeira, com penas mais severas e a possibilidade de liquidação forçada para estruturas identificadas como arranjos de nominee.

A propriedade por interposição de nominee é crime segundo o Foreign Business Act, punível com multa entre 100.000 e 1 milhão de baht e até três anos de prisão, com responsabilidade que se estende também ao sócio tailandês que serviu de testa de ferro.

A nossa posição é clara: em 2026, um comprador com orçamento abaixo de 30 a 40 milhões de baht não deveria sequer considerar uma estrutura de empresa tailandesa para uma compra residencial. O risco não é que apareçam inspetores amanhã. O risco é que, na hora de revender, um comprador acompanhado por um advogado simplesmente se recuse a avançar com o negócio, e o ativo perca liquidez muito antes de perder legalidade.

Há uma excepção razoável a este conselho: se gerir um negócio tailandês genuinamente operacional, com faturação real, funcionários e sócios que investem o seu próprio dinheiro, então deter terreno através dessa empresa não é um esquema, é prática empresarial normal.

O arrendamento de '90 anos' existe mesmo?

Não, e este é talvez o mal-entendido mais persistente entre compradores europeus. Os vendedores de villas em regime de leasehold anunciam frequentemente a estrutura '30+30+30' como noventa anos de propriedade. Na realidade, o registo do cartório só regista o primeiro período de trinta anos. A promessa de renovação é uma obrigação pessoal do atual proprietário do terreno para com um inquilino específico, e a jurisprudência tailandesa tem repetidamente tratado essas renovações como um direito contratual pessoal que não se transmite automaticamente a um novo proprietário do terreno.

Enquanto o promotor imobiliário se mantiver em atividade e cuidar da sua reputação, tudo funciona sem sobressaltos. O verdadeiro teste chega ao ano trinta e um, e o mercado simplesmente ainda não tem estatísticas sobre esse teste, porque os arrendamentos de zonas turísticas com essa idade ainda são raros na Tailândia.

O prazo registável de arrendamento é de 30 anos; extensões além disso não entram no registo predial e permanecem uma obrigação contratual do proprietário específico, não um direito automático.

De onde tem de vir o dinheiro para comprar uma fração?

Para registar a propriedade plena de uma fração, os fundos têm de ser transferidos do estrangeiro: o dinheiro tem de chegar em moeda estrangeira e, para montantes iguais ou superiores a 50.000 dólares americanos, o banco emite um formulário de Foreign Exchange Transaction (FET), sem o qual o cartório não processa a transação. Para um comprador português, isto significa organizar a transferência bancária com antecedência e com o propósito correto declarado, algo que os bancos tailandeses exigem de forma bastante rígida.

Aqui está o lado que raramente é notícia: a fiscalização atinge os esquemas de zona cinzenta, não as compras transparentes. Uma fração comprada em freehold com fundos transferidos do estrangeiro e um formulário FET válido não se tornou, nos últimos dois anos, um único dia mais difícil de registar. Pelo contrário, quanto mais apertada é a fiscalização das estruturas de nominee, mais previsível se torna o mercado secundário das fracões dentro da quota estrangeira, simplesmente porque as alternativas legais para um estrangeiro deter este tipo de ativo continuam a diminuir.

O que mudou desde 2024 e o que continua só uma promessa

As expectativas de mercado em 2024 eram bem diferentes. O Conselho de Ministros tailandês tinha instruído os ministérios competentes a estudar duas propostas: alargar o prazo máximo de arrendamento para 99 anos e aumentar a quota estrangeira em condomínios para 75%. Na comunidade internacional de compradores em Phuket, falava-se pouco de outra coisa durante meses. Em 2026, nenhuma das duas medidas se tinha tornado lei. O debate encontrou resistência política, e o argumento sobre 'vender o país' revelou-se mais forte do que o argumento sobre atrair capital.

Em vez de expandir direitos, o governo fez algo mais barato e mais rápido: começou a verificar se os direitos que já existem estão a ser respeitados.

O passo prático que evita mais problemas acontece antes de assinar qualquer coisa: pedir um certificado atualizado da administração do condomínio a confirmar a quota estrangeira remanescente por área, e confirmar que a fração pretendida cabe dentro dela. Vale ainda verificar a existência de título chanote sem ónus, o histórico de pagamentos do fundo comum do condomínio e, em projetos novos, a licença de construção e a aprovação de EIA (estudo de impacto ambiental), quando aplicável.

Se procura apoio para navegar este processo em português, a equipa da Imóveis na Tailândia acompanha compradores portugueses precisamente nestes pontos de verificação antes da assinatura.

FAQ

Um português pode comprar terreno na Tailândia?

Em geral, não em nome individual. O Land Code não concede esse direito a estrangeiros. As exceções (certos casos de herança e a Secção 96 bis, com investimento mínimo de 40 milhões de baht e aprovação do Ministério do Interior) são raras na prática.

É seguro comprar uma villa através de uma empresa tailandesa?

Só se os sócios tailandeses tiverem investido fundos próprios reais e participarem efetivamente na gestão. Se não o fizerem, trata-se de uma estrutura de nominee, crime segundo o Foreign Business Act, com multas até 1 milhão de baht e até três anos de prisão, incluindo para o sócio tailandês envolvido.

É verdade que se pode registar um arrendamento de 90 anos na Tailândia?

Não. Só é possível registar 30 anos no cartório. As renovações seguintes existem apenas como promessa contratual do proprietário atual, sem garantia de que vinculem um futuro comprador do terreno.

O dinheiro para comprar uma fração tem mesmo de vir do estrangeiro?

Sim, para registo em nome estrangeiro (freehold). Os fundos têm de entrar na Tailândia em moeda estrangeira, e a partir de 50.000 dólares americanos o banco emite o formulário FET, indispensável para o cartório aceitar o registo.

Vão mudar as regras nos próximos anos?

As propostas de arrendamento de 99 anos e quota de 75% estão em discussão desde 2024, mas nenhuma se tornou lei até 2026. É mais prudente planear com base nas regras atuais do que em propostas ainda não aprovadas.

Fonte: DBD Order No. 1/2026, citado via aiproperty-phuket.com

Perguntas frequentes

Um português pode comprar terreno na Tailândia?

Em geral, não em nome individual. O Land Code não concede esse direito a estrangeiros. As exceções (certos casos de herança e a Secção 96 bis, com investimento mínimo de 40 milhões de baht e aprovação do Ministério do Interior) são raras na prática.

É seguro comprar uma villa através de uma empresa tailandesa?

Só se os sócios tailandeses tiverem investido fundos próprios reais e participarem efetivamente na gestão. Se não o fizerem, trata-se de uma estrutura de nominee, crime segundo o Foreign Business Act, com multas até 1 milhão de baht e até três anos de prisão, incluindo para o sócio tailandês envolvido.

É verdade que se pode registar um arrendamento de 90 anos na Tailândia?

Não. Só é possível registar 30 anos no cartório. As renovações seguintes existem apenas como promessa contratual do proprietário atual, sem garantia de que vinculem um futuro comprador do terreno.

O dinheiro para comprar uma fração tem mesmo de vir do estrangeiro?

Sim, para registo em nome estrangeiro (freehold). Os fundos têm de entrar na Tailândia em moeda estrangeira, e a partir de 50.000 dólares americanos o banco emite o formulário FET, indispensável para o cartório aceitar o registo.